Bandeiras regionais ganham mercado – Valor Econômico
Bandeiras regionais já representam 17% do mercado de cartões de crédito do país. Há mais de 19 milhões desses plásticos, de 67 bandeiras, em uso no Brasil. Os cartões de pequena escala movimentaram R$ 8 bilhões em 2005. O levantamento é da consultoria Boanerges & Cia. O segmento, que a consultoria classifica como "cartões de rede", exclui as bandeiras internacionais Visa, MasterCard, Dinners e Amex e também os cartões de loja.
"São bandeiras que estão comendo pelas beiradas, onde as grandes bandeiras não estão", diz o consultor Boanerges Ramos Freire. "E há espaço para crescer mais." Lojistas de pequenas cidades conseguem melhor negociação com as pequenas administradoras de cartão de crédito e contribuem para o crescimento desse nicho. Segundo a Boanerges, 431,2 mil estabelecimentos trabalham com bandeiras regionais.
Focando esse público que está à margem das estratégias de captação das bandeiras internacionais, as pequenas estão se fortalecendo. De acordo com a consultoria, o ritmo de crescimento dos cartões de rede tem sido, em média, de 20% ao ano.
A maior parte das bandeiras atuam em pequena escala, com menos de 100 mil cartões emitidos em uma região delimitada. Mas na lista do segmento estão também bandeiras que já ganharam mercado país afora e têm hoje dimensão nacional, como a Hipercard, comprada em 2004 pelo Unibanco, ou a Aura, do grupo francês Cetelem.
As dez maiores empresas entre as 67 bandeiras detêm 83% desse nicho de mercado, com 15,9 milhões de cartões emitidos. As dez maiores são, por ordem decrescente de emissões: Hipercard, Sorocard, Credsystem, Good Card, Tricard, Central Card, Unik, Valecard e Policard.
Outras 57 empresas têm, juntas, mais 3,2 milhões de cartões emitidos. A maioria surgiu como factoring e começou a operar cartões de convênio para empresas, com os quais as compras feitas nos conveniados são descontadas diretamente no salário do titular do cartão.
De acordo com Freire, a maioria passa a administrar cartões de alimentação e refeição. Só numa terceira etapa é que começam a operar cartões com limite de crédito. É o caso da Ecx Card, bandeira mineira com 500 mil plásticos emitidos.
Fundada como factoring em 1993, ela passou a administrar cartões há cinco anos. O carro-chefe ainda são os cartões corporativos, com débito na folha de pagamento. Mas o Ecx Card para pessoas físicas já tem mais de 100 mil clientes. Ao todo, a empresa tem sete modalidades de cartão. Um deles é de uso restrito a postos de combustível e permite ao conveniado fazer o completo gerenciamento da frota via internet. O negócio vem crescendo num ritmo maior que o previsto, diz o presidente, José Francisco Gomes da Silva.
Na avaliação de Ramos Freire, o segmento dos cartões regionais deverá ter pelo menos mais cinco anos de expansão. "Depois disso, é provável que passe por um processo de concentração." Ele conta que há empresas acompanhando com atenção o crescimento de bandeiras de pequena escala. A idéia, no futuro, é incorporar as mais interessantes sob uma mesma bandeira.
Ele lembra que, há dois anos, o Unibanco pagou US$ 200 milhões pela Hipercard. Pela compra do supermercado Bom Preço, que era dono da bandeira, o Wal Mart pagou US$ 300 milhões. "O Hipercard valia dois terços do que valia o supermercado", compara, em referência à alta valorização que as bandeiras regionais podem atingir. (Por Ivana Moreira - 25/08/06)